Untitled Document
SEGUNDA FEIRA, 25 DE MARÇO DE 2019
29 de NOVEMBRO de 2018 | Fonte: Agência Brasil

Buenos Aires é blindada para o G20

Líderes das maiores economias se reúnem por dois dias na Argentina (Foto: Divulgação)

A capital argentina amanheceu blindada. No centro de Buenos Aires, onde ficam os hotéis de luxo e as embaixadas, barreiras foram montadas nas ruas, interrompendo o trânsito. O transporte público deixará de funcionar normalmente hoje (29) à tarde. O presidente da Argentina, Mauricio Macri, decretou feriado na amanhã (30), quando começa a Cúpula dos Líderes do G20. Encontro vai até sábado (1º).

 

É a primeira vez que os líderes das 20 maiores economias do mundo se reúnem na América do Sul. A primeira cúpula, em 2008, ocorreu nos Estados Unidos – no ano da pior crise financeira, desde a “grande depressão” de 1929.

 

Participam do G20 os sete países mais ricos (G7), 13 economias emergentes (entre elas, a China, a Rússia, a Índia e o Brasil), e a União Europeia (UE), além de representantes de organizações multilaterais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial.

 

Segurança

A Argentina mobilizou 25 mil agentes para proteger as delegações da ameaça de atentados e de protestos violentos, como os da ultima cúpula, na Alemanha, que deixaram dezenas de pessoas e policiais feridos.

 

O presidente argentino e anfitrião da Cúpula do G20, Mauricio Macri, aproveitará a ocasião para se encontrar com sete lideres – entre eles, os presidentes Donald Trump (dos Estados Unidos), Xi Jin-Ping (da China) e Vladimir Putin (da Rússia).

 

A Argentina enfrenta um momento difícil: o país fechou um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), para superar a crise cambial, que fez com que a moeda nacional perdesse metade de seu valor este ano.

 

Em troca de uma linha de crédito de US$ 36,3 bilhões, Macri se comprometeu a zerar o déficit fiscal em 2019 – justamente no ano em que disputará a reeleição. As estimativas são de que este ano a economia argentina encolherá 2,6% e que a inflação anual superará os 45%. O índice de aprovação do governo de Macri está em torno de 30%. Mas o governo aposta numa recuperação econômica no ano que vem.

 

Agenda

A Argentina, que preside o G20 este ano, determinou a agenda: quer discutir o futuro do emprego e o desenvolvimento econômico, num mundo que está sendo transformado pela revolução tecnológica e pelo aquecimento climático.

 

A cúpula ocorre em meio de uma guerra comercial, entre as duas maiores potencias  (Estados Unidos e China),  e de uma disputa politica pelo poder com a Rússia (que avança para recuperar territórios perdidos com a dissolução da antiga União Soviética). Soma-se a esse quadro, a complexa situação do Oriente Médio.

 

Suspeitas

O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed Bin-Salman, foi o primeiro líder do G20 a desembarcar em Buenos Aires ontem (28). Ele é o centro das atenções, pois a organização não governamental (ONG) de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch pediu à Justiça argentina que investigue a participação dele em crimes de guerra na Iêmen e no assassinato do jornalista Jamal Khashoggi.

 

A família real saudita reconheceu que Khashoggi foi morto, mas nega qualquer participação do assassinato. Nos Estados Unidos, a oposição cobrou do presidente Donald Trump uma postura mais dura em relação ao príncipe saudita, que também ocupa o cargo de Ministro da Defesa.

 

Trump disse que acredita na palavra do herdeiro do trono da Arábia Saudita, que além de ser um dos maiores produtores de petróleo e um aliado histórico do governo norte-americano.

 

Cúpula atípica

Nos próximos dias, a atenção do mundo estará voltada para as reuniões bilaterais, que estão sendo organizadas paralelamente à agenda oficial. A principal é a dos presidentes norte-americano, Donald Trump, e chinês, Xi-Jinping. Os líderes das duas potências estão em meio a uma guerra comercial que atinge a economia mundial.

 

As expectativas são de que haverá uma trégua. Mas a incerteza, sobre o resultado do encontro, tem repercutido sobre o mercado financeiro internacional.

 

O analista de política internacional Jorge Castro disse que a troca de farpas e retaliações tarifárias entre Estados Unidos (EUA) e China estão prestes a acabar. Tudo indica que haverá uma trégua entre os norte-americanos e chineses, que começou a ser negociada há duas semanas”, disse o especialista à Agência Brasil.

 

“O acordo entre as duas potências vai além do comercial. Estabelecerá as bases de um novo sistema de poder global”, acrescentou. Na opinião de Castro, o que está em jogo hoje é “quem domina as novas tecnologias deste século - especialmente a inteligência artificial”.

 

EUA

Desde que assumiu, há dois anos, Trump questiona as organizações multilaterais, criadas apos da Segunda Guerra Mundial para evitar um terceiro conflito internacional. Segundo Castro, com isso, o governo norte-americano recuperou a liderança mundial, no sentido de que está ditando novas regras do jogo.

 

O G20 vive a realidade do Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), liderada pela primeira-ministra britânica, Thereza May. O complexo processo requer a aprovação parlamentar, no próximo dia 11, em meio a país dividido.

 

As últimas estatísticas oficiais indicam que, ao abandonar o mercado europeu, nos termos do acordo negociado por Thereza May, a economia britânica deixará de crescer 3,9% nos próximos 15 anos. Mas, pior que isso, será uma separação sem um comum acordo com os demais 27 países membros da UE. Neste caso, o impacto sobre o Produto Interno Bruto (PIB) do Reino Unido será de 9,3%.

 

Últimos

Essa cúpula será marcada também por mudanças na América Latina. Os presidentes das duas maiores economias regionais – Brasil e México – estão deixando o poder. O presidente Michel Temer será sucedido por Jair Bolsonaro, em 1º de janeiro. O mexicano Enrique Peña Nieto, que estará em Buenos Aires, participa apenas, do primeiro dia do encontro, pois no sábado (1º) entrega o governo para ao presidente eleito Andrés Lopez Obrador.

 

Peña Nieto aproveitará o último dia de seu mandato, na capital argentina, para assinar o novo acordo comercial entre o México, os Estados Unidos e o Canadá, que substituirá o antigo Nafta (Tratado Norte-Americano de Livre Comercio), dissolvido por Trump.

 

No momento em que os líderes discutem o futuro financeiro e econômico do mundo, manifestantes ocuparão as ruas da capital argentina para protestar contra a globalização, o desemprego, e as violações dos direitos humanos.



Untitled Document
Últimas Notícias
Plano de Desenvolvimento da Agropecuária de MS passa por adequações
Lançamento do Dia de Cooperar no MS reúne cooperativas do Estado
FMS apoia evento científico sobre atividade física e saúde
Untitled Document