Untitled Document
TERÇA-FEIRA, 23 DE OUTUBRO DE 2018
09 de OUTUBRO de 2018 | Fonte: Correio do Estado

MS: uso de agrotóxicos coloca antas em risco

Amostras coletadas apontam que vários animais estão contaminados
Antas estão ameaçadas por conta do uso de agrotóxicos. - Foto: Instituto IPÊ

O uso indiscriminado de agrotóxicos no Cerrado de Mato Grosso do Sul coloca em risco antas que vivem na região. Pesquisa realizada pela Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (Incab), do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), apontou que 40% das 116 amostras coletadas, com animais capturados em armadilhas (para instalação de colares de monitoramento) e em carcaças de exemplares mortos por atropelamento, estavam contaminadas com resíduos de produtos tóxicos, incluindo inseticidas organofosforados, piretróides, carbamatos e metais pesados.

 

“Os resultados provenientes da análise de amostras biológicas de antas nos fizeram pensar de forma mais ampla sobre a problemática do uso indiscriminado de agrotóxicos no Cerrado. Aparentemente, encontramos uma conexão bastante clara entre a pulverização aérea, a cana-de-açúcar, os inseticidas e a contaminação ambiental. Nesse caso, a anta está servindo como ‘espécie sentinela’, capaz de demonstrar os riscos presentes no meio ambiente onde outras espécies da fauna, animais domésticos e comunidades rurais vivem”, defende Patrícia Medici, coordenado do Incab/IPÊ.

 

A detecção de agentes tóxicos em amostras confirma que as antas estão expostas a essas substâncias no ambiente que habitam, por contato direto com as plantas, solo e água contaminados. A análise estomacal demonstra exposição pela ingestão de plantas nativas contaminadas e de itens das culturas agrícolas eventualmente utilizados como recurso alimentar.

 

A detecção de resíduos de agrotóxicos em amostras de fígado e sangue demonstra que ocorre a metabolização dos agentes tóxicos pelo organismo do animal, o que o predispõe a processos capazes de interferir na sua longevidade, estado de saúde ou em aspectos reprodutivos extremamente relevantes para a viabilidade da espécie. 

 

Com amostras de unha e osso, os pesquisadores também  avaliaram o acúmulo de substâncias tóxicas (especialmente de metais pesados) no organismo dos animais ao longo dos anos. “Todas as substâncias detectadas possuem algum nível de toxicidade e podem desencadear processos fisiológicos com implicações importantes para a saúde dos animais afetados, particularmente nas respostas endócrinas, neurológicas e reprodutivas. A maioria dos estudos sobre o assunto aborda os efeitos agudos ou imediatos da intoxicação, mas pouco se sabe sobre o impacto da exposição crônica a estas substâncias ao longo de meses ou anos”, pontuou Patrícia.

 

De acordo com o IPÊ, a anta é uma espécie importante para a manutenção dos ecossistemas onde vive, exercendo um papel fundamental na dispersão de sementes e conexão entre diferentes habitats, e o Cerrado, um dos biomas mais ameaçados do Brasil. Além das pesquisas sobre agrotóxicos, os pesquisadores monitoram atropelamentos de antas em rodovias de Mato Grosso do Sul, fazem estudos de ecologia e uso da paisagem, bem como outras análises de saúde e genética. Os resultados de todas essas frentes de atuação são utilizados para estratégias de redução das ameaças que atingem não somente a espécie, como todo o ambiente e todas as formas de vida que nele habitam, incluindo os humanos.



Untitled Document
Últimas Notícias
Sesi destaca melhoria na gestão de SST com eSocial
Chuva desacelera ritmo da moagem de cana na segunda quinzena de setembro
Atacar Poder Judiciário é atacar a democracia, diz presidente do STF
Untitled Document