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Foto: Divulgação |
Para fomentar negócios inovadores no âmbito da bioeconomia nos biomas Cerrado e Pantanal, foi realizado nesta segunda-feira (1º), o InovaBio, um encontro estratégico, promovido pelo Sebrae/MS em parceria com o Governo do Estado, por intermédio da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia (Fundect). O evento contou com um painel especializado, a apresentação de cases de sucesso e uma oficina prática, que auxiliou os empreendedores na inscrição para o novo edital dos programas Inova Cerrado e Inova Pantanal, aberto até 4 de abril.
O diretor-presidente da Fundect e conselheiro do Sebrae/MS, Márcio de Araújo, reforçou o papel estratégico da inovação para alavancar o desenvolvimento. “A inovação é o motor que impulsiona o mundo. Quem ousa, quem se arrisca a pensar diferente, está à frente das grandes transformações. Para os empreendedores que buscam trabalhar com soluções inovadoras, esta é a oportunidade: esses editais são a porta de entrada para escalar negócios sustentáveis. Quando unimos inovação com a riqueza do Cerrado e do Pantanal, criamos um ecossistema de oportunidades. A bioeconomia e a biodiversidade são fontes de soluções transformadoras, capazes de gerar impacto social, valor econômico e, ao mesmo tempo, preservar nossos recursos naturais. Essa é a verdadeira riqueza que queremos potencializar”.
Por meio de um vídeo de boas-vindas, o secretário executivo de Ciência, Tecnologia e Inovação da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Ricardo Senna, também conselheiro do Sebrae/MS, enalteceu a diversidade presente nos biomas de Mato Grosso do Sul. “Temos uma série de riquezas, seja nos recursos hídricos, na flora, na fauna e por isso precisamos criar uma política de incentivo para explorar de forma sustentável esses recursos, nossa biodiversidade, para que possa se transformar na principal fonte de riqueza de Mato Grosso do Sul. Então por meio desses editais, os empreendedores recebem apoio para consolidar toda a cadeia produtiva, pois quanto mais diversificarmos nossa matriz econômica, quanto mais oportunidade de emprego e renda para população, mais desenvolvemos a economia”, afirmou.
A gerente da Unidade de Competitividade e Inovação do Sebrae/MS, Isabella Fernandes, destacou o caráter transformador dos editais Inova Cerrado e Inova Pantanal: “Estes são os programas de maior impacto dos últimos anos para o ecossistema de inovação do nosso estado. Eles oferecem suporte completo, desde assessoria especializada até recursos financeiros, para que pequenos negócios possam desenvolver soluções inovadoras na área de bioeconomia. Temos uma vantagem competitiva única: nossa biodiversidade extraordinária. A riqueza da flora e fauna do Cerrado e Pantanal oferece infinitas possibilidades para negócios sustentáveis. O desafio é transformar esse patrimônio natural em valor econômico, mantendo nossa essência. Quando o empreendedor consegue aliar inovação com nossa biodiversidade, ele não só agrega valor ao seu negócio, mas também contribui para o desenvolvimento sustentável de Mato Grosso do Sul”, enfatizou Isabella.
Bioeconomia em foco: Potencial e oportunidades
Durante o evento, o painel “Para quem é a bioeconomia? E como acessar fomento financeiro?” contou com a participação de Vinícius Sirino, empreendedor social e criador do Gamezônia, e Thyago Gatto, analista-técnico do Sebrae Nacional, mediados por Edson Rodrigues, gestor de Comunidades da aceleradora Ventiur. Os especialistas destacaram a importância da bioeconomia como vetor de desenvolvimento sustentável, aliando preservação ambiental e geração de valor a partir dos recursos naturais de Mato Grosso do Sul.
“Bioeconomia é quando qualquer negócio quer ganhar dinheiro utilizando algum insumo da natureza, mas faz isso de maneira sustentável, não só usando, mas também beneficiando a preservação ou conservação dos insumos naturais. Mato Grosso do Sul tem um potencial muito grande e devemos estimular o surgimento de negócios mais vinculados a essa vertente da bioeconomia e isso pode mudar a matriz econômica do Estado, incentivando o surgimento de diversos outros negócios sustentáveis, escaláveis e que geram riqueza e desenvolvimento econômico e social”, explicou Thyago Gatto.
Vinícius Souza Sirino, criador do Gamezônia contou um pouco da sua trajetória e mostrou que a bioeconomia pode ser feita tanto da base da floresta quanto da cadeia produtiva. “O Gamezônia é uma ferramenta de educação ambiental, o game tem como missão recontar a história da Amazônia a partir do olhar dos povos e comunidades tradicionais. Para isso, o jogo traz questões como os modos de vida das comunidades locais e a importância do respeito à diversidade étnica e cultural”, explicou aos participantes, demonstrando que há várias formas de empreender dentro da bioeconomia.
Cases de sucesso e oficina prática
Um dos momentos mais inspiradores foi a apresentação dos cases de sucesso com empresários da bioeconomia, que compartilharam experiências reais de como transformar ideias inovadoras em negócios escaláveis e sustentáveis.
Uma delas foi Beatriz Matos, da Ybá Cosméticos, que extrai casca do barbatimão a matéria-prima para os produtos da marca. “Iniciativas como essas são essenciais para melhorar a nossa cadeia produtiva e conseguir levar mais rentabilidade por meio da sustentabilidade e da extração dessa matéria-prima do Cerrado brasileiro para as comunidades onde a gente atua. Trabalhamos com uma linha de cosméticos naturais a base de barbatimão, que levam esse extrato natural e são para o cuidado íntimo feminino”.
O empreendedor Eduardo Cerqueira da “Agro Nativa” é outro exemplo. Ao participar do primeiro edital do Inova Cerrado, de outubro de 2024 a fevereiro deste ano, a ideia de negócio desenvolvida por ele ficou em primeiro lugar entre os melhores projetos inscritos e, agora, o empresário pretende participar do novo edital do programa, voltado ao acesso à novos mercados. A proposta da empresa é conectar agricultores com produtores de abelhas nativas, promovendo a polinização das abelhas, aumentando a produtividade, além da produção de mel.
“Como eu venho da academia e tenho esse viés de pesquisa e conservação, o mercado acaba ficando distante. Então, me inscrevi para essa nova etapa de tração para melhorar os processos e a parte de vendas, de contactar clientes, o que é fundamental para o meu negócio. Acho muito importante falarmos sobre esse tema no evento, porque tem empresário que não tem noção do que é a bioeconomia e, muitas vezes, já coloca em prática, mas não sabe o que está fazendo. Então, precisamos mostrar que esse segmento é relevante, ainda mais em um contexto de mudanças climáticas, para trazer soluções, abrangendo questões sociais, econômicas e políticas”, expôs.
Daniely Queiroz proprietária da Currie Biocosméticos também fez parte do diálogo durante o evento, como case de sucesso convidada. Química de formação, ela encontrou na flora do Cerrado a matéria-prima para confecção de uma linha de cosméticos – ideia de negócio premiada também no último edital do Inova Cerrado, do qual participou.
“Hoje nós temos a linha capilar e a linha facial com matérias-primas 100% naturais, não utilizamos nada de derivados de petróleo, nem óleos minerais, nós inserimos frutos do cerrado e agora estamos avançando para a prospecção de frutos também do bioma Pantanal. Sabemos que não é fácil, a gente necessita de fomento para crescer, para investir e buscar novas matérias-primas, por isso essas iniciativas são cruciais”, compartilhou.
Na sequência, os participantes tiveram uma oficina prática com Victor Genari, gestor de Inovação Aberta e Investimentos na Meta, que orientou sobre o passo a passo para inscrição no edital tração dos programas Inova Cerrado e Inova Pantanal, dicas de preenchimento e como aumentar as chances de seleção.
Proprietária de uma empresa de artesanato que trabalha com fibras naturais, cerâmica e madeira, Lucimar Maldonado foi uma das participantes da oficina. “Já participamos de rodada de negócios e estou interessada nos editais, pois trabalhamos com artesãos de todo o Mato Grosso do Sul, inclusive do Pantanal”, contou.
Edital aberto: Últimos dias para Inscrições
O módulo Tração dos programas Inova Cerrado e Inova Pantanal é voltado para negócios já formalizados que buscam aceleração e apoio para crescer no mercado. Entre os benefícios estão mentorias, conexões com investidores e suporte técnico.
Com o foco em favorecer o desenvolvimento dos biomas em Mato Grosso do Sul, os editais são voltados para empreendedores que atuem com soluções inovadoras relacionadas ao Cerrado e Pantanal e possuam uma carteira consolidada de clientes. Ao todo, são 80 vagas disponíveis, sendo 40 para cada programa. Podem participar Microempreendedores Individuais (MEIs), Microempresas (MEs) e Empresas de Pequeno Porte (EPPs) que contribuam para a conservação ou uso sustentável de recursos naturais das biodiversidades envolvidas.
Disponível para inscrição até o dia 4 de abril, a iniciativa oferece bolsa de estímulo à inovação no valor de R$ 6,5 mil, durante seis meses, além de acompanhamento especializado para possibilitar a escalabilidade das operações e expansão das empresas no mercado, inclusive, em âmbito internacional.
Mais informações podem ser obtidas nos sites de cada programa Inova Cerrado e Inova Pantanal ou por meio do e-mail inova.biomas@sebrae.com.br. O Sebrae/MS também está disponível para esclarecer dúvidas pela Central de Relacionamento, no número 0800 570 0800.