A presença do El Niño no verão garantiu boas condições de umidade para o período do plantio de milho, mas o enfraquecimento do fenômeno climático coincidindo com o outono contribui para que algumas ondas de frio neste ano cheguem mais cedo.
No geral, o enfraquecimento do El Niño ao longo do primeiro semestre terá impactos diferentes sobre as lavouras de milho, conforme a região de produção.
No caso da segunda safra do Paraná e de Mato Grosso do Sul, a principal ameaça neste ano está associada à ocorrência de geadas entre o final de maio e o início de junho. A intensidade da exposição ao risco dependerá da data de plantio das lavouras.
Para os Estados de Mato Grosso e Goiás, bem como para as áreas produtoras do sudeste do Brasil, o risco está relacionado ao fato de o milho ter sido semeado mais tarde, por causa do atraso no plantio e da colheita da safra de verão.
Neste ano, as chuvas de verão devem cortar mais cedo, na segunda quinzena de abril. O mês de maio deve apresentar um padrão seco. Mas o enfraquecimento do El Niño favorece a ocorrência de alguns episódios isolados de chuvas, associados à propagação de frentes frias sobre o sudeste do Brasil.
Esses episódios isolados de chuvas no Sudeste, previstos para maio e início de junho, mesmo que não garantam condições ideais para o desenvolvimento das lavouras, são fundamentais para as fases de floração e enchimento de grão.
Chuvas não repõem o déficit hídrico
O janeiro mais chuvoso e as conhecidas chuvas em março são insuficientes para repor o déficit hídrico acumulado nos últimos anos nas áreas de pastagem do Sudeste e do Centro-Oeste. As pastagens não tiveram condições adequadas de desenvolvimento pleno durante o verão e continuarão expostas ao déficit, pois as chuvas neste ano devem cortar mais cedo.
O cenário para 2016 se agrava em função do indicativo de um período seco (inverno) mais longo, incluindo também as regiões de pastagens do norte e nordeste do Brasil. Já as pastagens da Região Sul e também de Mato Grosso do Sul e de São Paulo, que há mais de um ano se beneficiam com chuvas abundantes, passam a conviver com redução gradual das chuvas de agora em diante, devido ao enfraquecimento do fenômeno. Além disso, há principalmente o risco de ocorrência de geadas no próximo inverno.