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SÁBADO, 19 DE OUTUBRO DE 2019
05 de JUNHO de 2019 | Fonte: Correio do Estado

Fila para tratamento na Capital contra o câncer cresce 46% e preocupa

Número de pacientes esperando chega a 219 em Campo Grande
Índice aumentou entre janeiro e março deste ano - Foto: Valdenir Rezende / Correio do Estado

A fila de espera de pacientes com câncer por tratamento de radioterapia oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) aumentou em Campo Grande. Atualmente, 219 pessoas aguardam atendimento especializado, de acordo com dados da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), enquanto em dezembro do ano passado eram 150. O crescimento foi de 46% em menos de três meses – no período entre janeiro e fim de março deste ano.

Outro problema é que, além do aumento significativo da fila, os pacientes não têm previsão de quando efetivamente vão iniciar as sessões de radiação no Hospital de Câncer Alfredo Abrão (HCAA), a única unidade que oferece o serviço pelo SUS.

O defensor público Nilton Marcelo de Camargo, do Núcleo de Atenção à Saúde, às Pessoas com Deficiência e aos Idosos (Naspi), ingressou com ação civil pública em outubro de 2017 e obteve decisão favorável da Justiça, determinando que Estado e município zerassem a fila de espera por tratamento de radioterapia na Capital. Porém, com apenas um aparelho em funcionamento para atender pacientes do SUS, a quantidade de pessoas na fila aumentou.

“Até outubro do ano passado, estava sob controle, pois uma clínica particular que atendia pelo SUS fazia três turnos de atendimento para receber os pacientes da Santa Casa e também do Hospital de Câncer. O hospital especializado recebeu seu próprio aparelho, porém não realiza os atendimentos na mesma quantidade. Esperaram um acordo com o município e acumulou o número de pacientes”, explicou Camargo.

Para tentar resolver a questão, o defensor público pediu para que o município tome as devidas providências em até 15 dias, com objetivo de ampliar a capacidade e reduzir o tempo de espera. “Inclusive na ação proposta houve uma programação mês a mês para redução da fila. No início, atenderam bem, mas depois houve o retorno da atividade do Hospital de Câncer, e a clínica particular que prestava serviço diminuiu o atendimento. Não houve contratação maior pelo município e acumulou”.

O Conselho Municipal de Saúde (CMS) da Capital informou que tem conhecimento das dificuldades dos pacientes em iniciar o tratamento. Em alguns casos, a espera pela radioterapia pode durar meses. “Minha mãe ficou esperando consulta, exame e depois as sessões, que demoraram uns cinco meses para começar”, afirmou a auxiliar de serviços gerais A.S., que pediu para não ter o nome divulgado.

“Ela ficou meses esperando, e só conseguimos porque o atendimento era noturno na clínica terceirizada. Mesmo assim, quando começou a radioterapia o câncer estava avançado; ela fez uma semana só e faleceu”, disse outra filha de paciente, que morreu após iniciar o tratamento.

ATENDIMENTO
O HCAA informou que o aparelho está em funcionamento na unidade desde novembro de 2018 e o setor atende em média 85 pacientes por mês. O equipamento foi entregue em maio de 2017 pelo Ministério da Saúde, que o localizou em Goiás sem utilização. Com a reforma do bunker concluída, foi instalado e inaugurado em julho de 2018, mas só recebeu aprovação da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) para começar a funcionar no fim do ano passado.

O local tem capacidade de ampliar os serviços e chegar entre 100 e 130 atendimentos mensais, mas a contratualização atual do hospital com a Sesau garante apenas o atendimento de 60 pacientes, e a partir deste mês uma nova modalidade de repasse pode reduzir o recurso, contemplando apenas 50 pessoas. O hospital informou que está em negociação com a secretaria para que não ocorra diminuição. Já a Sesau foi procurada e não respondeu aos questionamentos.



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