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QUARTA-FEIRA, 26 DE SETEMBRO DE 2018
16 de MARÇO de 2018 | Fonte: Folhapress

Munição que matou Marielle foi comprada pela PF

Foto: Renan Olaz/Câmara do Rio

A munição que matou a vereadora carioca Marielle Franco (PSOL) na última quarta-feira (14) foi comprada pela Polícia Federal em dezembro 2006. A informação foi divulgada pelo "RJTV", da TV Globo.

 

Segundo o telejornal, a perícia identificou a origem da munição com base nas cápsulas das balas encontradas na cena do crime. A munição teria sido comprada de uma empresa privada pela Polícia Federal de Brasília. Ainda de acordo com o jornal, a munição não tinha sinais de modificações. Marielle morreu com tiros de pistola calibre 9 milímetros.

 

O lote de munição desse caso no Rio é o mesmo usado em agosto de 2015 em Osasco e Barueri, na Grande São Paulo, naquela que é considerada a maior chacina do estado de São Paulo, com 17 mortos. À época, a investigação descobriu que parte das cápsulas pertencia ao lote UZZ-18, comprado pela PF. Neste caso de SP, três policiais militares de SP e um guarda civil foram condenados pela chacina.

 

É comum, contudo, desvios de munição comprada por órgãos oficiais. Também é comum que cápsulas sejam reaproveitadas. A Polícia Federal e a Polícia Civil do Rio divulgaram nota conjunta em que afirmam que vão apurar a origem da munição.

 

A PF, inclusive, se ofereceu para ajudar nas investigações, que continuam a cargo da Polícia Civil do Rio.

 

Marielle foi morta com quatro tiros na cabeça, em crime com indícios de ter sido premeditado. A polícia trabalha com a possibilidade de execução.

 

A vereadora deixou, na última quarta-feira, um debate na Lapa, centro do Rio, em carro junto com motorista e uma assessora. Quatro quilômetros depois, no bairro do Estácio, o carro em que ela estava foi alvejado por ao menos nove tiros.

 

A maior parte dos disparos foram efetuados justamente no lado direito do veículo, na parte do banco de trás, onde estava a vereadora. O motorista, Anderson Pedro Gomes, 39, foi atingido por três tiros nas costas. A assessora sobreviveu sem ferimentos graves.

 

O carro tinha vidros escuros. Os quatro tiros na cabeça da vereadora reforçam a tese de assassinato premeditado. O Disque Denúncia já recebeu pelo menos dez denúncias sobre o caso.

 

Um policial civil experiente que conversou com a reportagem na condição de não ter seu nome divulgado afirmou que é raro que o atirador consiga acertar quatros tiros na cabeça da vítima. Isso mostraria que o assassino tinha experiência nesse tipo de crime.

 

Quando a vítima não está sob jugo do agressor, costuma haver um ou dois tiros na cabeça e o restante no corpo. Segundo esse policial, requer certa técnica atirar em curto espaço de tempo quatro tiros num mesmo alvo por conta do recuo da arma durante o disparo.

 

A polícia investiga se dois carros participaram da ação contra a vereadora. De acordo com investigadores do caso, a polícia já identificou a placa de um dos carros suspeitos de participar do crime. Esse carro teria sido flagrado em uma câmera de segurança estacionado por duas horas em frente ao local onde Marielle participou de um debate na quarta-feira.

 

Segundo investigadores, seria possível ver no vídeo que os carros fazem sinais com farol um para o outro quando a vereadora deixa o debate na Lapa. Quatro quilômetros adiante ela seria morta.



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