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SEXTA-FEIRA, 24 DE NOVEMBRO DE 2017
14 de JUNHO de 2017 | Fonte: MS Notícias

Notificações de Sífilis aumentam em Mato Grosso do Sul

Elevação nas notificações é resultado de ações voltadas para o diagnóstico e melhorias no sistema de notificação.

Na última semana de maio, a Secretaria Estadual de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES/MS), divulgou nota relatando sobre um aumento significativo no número de casos de sífilis no estado. De acordo com a SES, a elevação nas notificações é resultado de ações voltadas para o diagnóstico e melhorias no sistema de notificação.

 

Como a sífilis é uma doença cujo os primeiros sintomas são lesões cutâneas e seu estágio inicial é predominantemente diagnosticado por dermatologistas, o presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia, Alexandre Moretti, se pronunciou sobre o assunto e fez um alerta. “A Sífilis é um mal silencioso que se tratada tem altas chances de cura, porém se negligenciada pode causar graves problemas no sistema nervoso central, sistema neurológico causando demência e podendo ainda levar à morte”.

 

Conheça a doença

A Sifilís possui três estágios primário, secundário e terciário, além disso tem a estágio de latência (período assintomático da doença) e a sífilis congênita onde a doença passa da mãe para o bebê durante gravidez ou parto.

 

A transmissão se dá durante o ato sexual pela espiroqueta Treponema Pallidum, por isso, o uso da camisinha, exames sorológicos periódicos e o pré-natal são fundamentais. Moretti ressalta ainda que o sexo oral também pode ser uma forma de contagio, “ultimamente temos visto um aumento exorbitante nas transmissões de DSTs, principalmente em adolescentes e adultos jovens, pois estes tendem a evitar o uso de preservativos e isso é preocupante”.

 

Sífilis Primária: Uma ferida que não dói e desaparece sozinha

A Sífilis primária é caracterizada por uma úlcera única e indolor, normalmente localizada em genitais, boca, mamas e mãos, porém também pode aparecer em outras regiões do corpo. Essa lesão deve aparecer entre 30 à 40 dias após a transmissão.

 

Geralmente, as bordas são bem definidas com base firme e sem pus, desaparecendo espontaneamente depois de 4 a 5 semanas sem deixar cicatrizes, causando uma falsa sensação de cura. Pode aparecer ainda em forma de caroço, pápulas ou até dentro do útero ou mucosas, dificultando a percepção do paciente.

 

Quando a lesão é uterina pode ser diagnosticada com exames ginecológicos. Nessa fase o exame de sangue pode não apontar a doença.

 

É importante ressaltar que a doença fica um período assintomático, mas continua agindo no organismo e quando as lesões reaparecerem a sífilis já estará em seu estágio secundário.

 

Sífilis Secundária: Cuidado para não se confundir, não é uma alergia!

Nesse estágio é facilmente percebida pelo paciente, pois podem surgir diversas lesões dermatológicas entre elas manchas vermelhas, pápulas ou caroços espalhados pelo corpo e principalmente nas regiões palmoplantares (Palma das mãos e planta dos pés), e ainda lesões na mucosa, ínguas generalizadas, caroços, úlceras orais, queda de cabelo, além de sintomas discretos como mal estar, dor nas juntas e músculos, febre baixa e dor de garganta.

 

Apesar de ser visível o paciente ainda pode se confundir e imaginar que é uma reação alérgica, por isso, um dermatologista deve ser consultado.

 

“As lesões desse estágio são parecidas com uma reação alérgica, porém é como se fosse uma ‘alergia’ que não dói e não coça. Nós temos ‘olhos treinados’ para reconhecer a doença, além analisar clinicamente ainda dispormos de exames como: VDRL, FTA-abs e exame de campo escuro microscopia, para confirmar o diagnóstico”.

 

A Sífilis secundaria dura entre um a dois anos, esse período é marcado por surtos de lesões que regridem espontaneamente intercalados com período de latência cada vez mais espaçados.

 

Sífilis terciaria: Estágio agressivo que pode levar a graves sequelas ou até a morte

A Sífilis terciária é a fase mais critica da doença, nessa etapa as lesões de pele diminuem, são mais localizadas e envolvem pele e mucosa, porém outras regiões do corpo podem ser atingidas, como ossos, músculos, fígado e ainda sistema cardiovascular e nervoso. Na língua o acometimento normalmente é indolor e causa espessamento e endurecimento do órgão. Também pode acontecer perfuração do septo nasal.

 

Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia de Mato Grosso do Sul (SBD/MS) Alexandre Moretti, “está etapa é caracterizada pela formação de granulomas destrutivos, que chamados de Goma Sifilítica e ausência total de treponema. Geralmente tem lesões solitárias, em pequenos números, endurecidas, assimétricas, com pouca infiltração, bordas bem marcadas, às vezes formando semi círculos .”

 

Moretti friza ainda que o mais preocupante é o acometimento do no sistema cardiovascular e o sistema neurológico. “Nessa etapa os riscos de lesões internas e sequelas graves aumentam consideravelmente e podem surgir quadros neurológicos e psiquiátricos importantes como demência, convulsão, meningite, alterações do equilíbrio e também quadros cardiovasculares como a aortitite sifílitica com risco de rompimento da aorta que levaria o paciente à morte.

 

Tratamento e Cura

O antibiótico recomendado para o tratamento da Sífilis é a penicilina, a quantidade de doses depende do estágio em que se encontra o paciente. De acordo com Moretti, quanto mais precoce a doença for diagnosticada menor a proliferação da bactéria e maiores as chances de cura.

 

HIV e Sífilis: Riscos ampliados

A coinfecção da sífilis com outras doenças sexualmente transmissíveis (DST’s) é motivo de preocupação, sendo o HIV uma das doenças frisadas pelo presidente da SBD/MS.

 

 “Assim como outras DST’s, o HIV causa uma diminuição da imunidade celular de defesa do organismo e na pele isso é demonstrada com lesões mais graves, ulceradas e necróticas, além disso há mais chances de doenças neurológicas, por isso, caso haja coinfecção solicitamos exames como tomografia e exame de licor “. Explica Moretti, revelando ainda que é muito comum coinfecção entre as DST’s.



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