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DOMINGO, 22 DE OUTUBRO DE 2017
14 de JUNHO de 2017 | Fonte: Campo Grande News

Falsa advogada presa aplicou golpe em índios de 7 municípios de MS

Durante Operação Raposa Kaiowá, deflagrada hoje, PF encontrou documentos de índios na casa da advogada, em Ponta Porã
Documentos de índios vítimas de golpes encontrados na casa de advogada, em Ponta Porã (Foto: Divulgação/PF)

A falsa advogada presa nesta quarta-feira (14), durante a Operação Raposa Kaiowá, desencadeada pela Polícia Federal, aplicou golpes contra índios de aldeias de pelo menos sete municípios de Mato Grosso do Sul. A golpista foi presa em sua casa em Ponta Porã, a 323 km de Campo Grande.

 

O delegado Felipe Viana Menezes, que conduz as investigações, disse ao Campo Grande News que a falsa advogada migrava de aldeia em aldeia e começou a aplicar os golpes em 2012.

 

Além de ajudar os índios a conseguirem aposentadoria, algumas de forma fraudulenta e com uso de documentos falsos, a golpista fazia empréstimos consignados em nome das vítimas e ficava com o dinheiro.

 

“Os indígenas só descobriam que tinham caído em um golpe quando percebiam o desconto do empréstimo da aposentadoria”, afirmou o delegado.

 

Durante o cumprimento dos mandados de prisão preventiva e de buscas na casa da falsa advogada, na manhã de hoje, os policiais federais encontraram vários documentos originais de indígenas.

 

Documentos retidos – Segundo o delegado Menezes, isso comprova que a golpista retinha os documentos dos índios para garantir que só ela sacasse o dinheiro dos empréstimos consignados. “Encontramos também diversas procurações para saques de consignados . Notebook e celular também foram apreendidos”.

 

A PF descobriu que a falsa advogada começou a aplicar os golpes em aldeias de Bonito e Aquidauana em 2012. No ano seguinte ela passou a atuar em Amambai, município com segundo maior número de índios em Mato Grosso do Sul – o primeiro é Dourados.

 

Conforme a Polícia Federal, em 2015 e 2016, a golpista atuou em Antonio João, Bela Vista e Paranhos e nos últimos meses estava “trabalhando” com índios da aldeia Guaiviry, em Aral Moreira.

 

“Ela chegava nas aldeias, se apresentava como advogada e falava que ia ajudar os índios a tirar documentos. Em alguns casos os índios já tinham direito ao benefício, mas ela se aproveitava da situação para fazer os empréstimos e ficar com o dinheiro”, explicou Felipe Menezes.

 

O caso chegou à Polícia Federal após a golpista, que não teve o nome divulgado, começar a falsificar documentos para dar entrada no pedido de aposentadoria dos índios. “Ela levava os indígenas no cartório, fazia identidade, fazia carteira de trabalho e CPF, tudo com dados falsos”.

 

Segundo o policial, a operação já descobriu três casos de aposentadorias obtidas de forma fraudulenta, evitando prejuízo de R$ 600 mil à União. Um dos benefícios foi obtido com documento de um índio que nunca existiu.

 

A PF ainda investiga se o golpe teve a participação de outras pessoas. O delegado Menezes disse que, pelo menos por enquanto, não existe indício de envolvimento de servidores públicos no crime.

 

Operação – A operação foi denominada “Raposa Kaiowá” em alusão à característica traiçoeira e oportunista das raposas na captura de suas vítimas. Segundo a PF, situação que se assemelha à astúcia utilizada pela falsa advogada no trato com os índios.

 

O nome também remete à Operação Coiote Kaiowá, deflagrada pela PF em 2015, em Amambai, para desmantelar esquema de fraudes previdenciárias.



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