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SEGUNDA FEIRA, 21 DE MAIO DE 2018
13 de OUTUBRO de 2017 | Fonte: SNA

Perda de abelhas assusta apicultores de todo o mundo

O uso inadequado de agrotóxicos e desmatamentos, as mudanças climáticas e a chamada Desordem do Colapso das Colônias (DCC) são prováveis causas do problema.
O mel brasileiro é um dos mais ricos do mundo (Foto: Divulgação)

Importante agente polinizador da natureza e responsável pela produção de um dos alimentos mais consumidos no mundo, as abelhas estão ameaçadas. O problema, que não se restringe apenas ao Brasil e se apresenta como uma questão global, é preocupante: “Se nada for feito, poderemos ter problemas na produção mundial de alimentos”, afirma Bruno Souza, pesquisador da Embrapa Meio –Norte.

 

O Brasil é o 10º produtor mundial de mel e ceras, com números expressivos: de janeiro a setembro deste ano, o Brasil já exportou quase 21 mil toneladas de mel, faturando US$ 93,4 milhões. Em todo o ano de 2016, as exportações chegaram a pouco mais de 24 mil toneladas, com um faturamento de US$ 92 milhões. Os Estados Unidos foram o maior importador, de acordo com dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.

 

O mel é o mais importante produto apícola da pauta de exportação brasileira. De Norte a Sul do País, a produção de mel é uma atividade que se mantém firme. Em 2016, segundo o IBGE, o Brasil produziu quase 40 mil toneladas. Cinco estados ficaram no pelotão de frente: Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais e São Paulo.

 

“Por ser um dos mais importantes agentes polinizadores, as abelhas ajudam no equilíbrio das culturas agrícolas. Se fôssemos quantificar a importância desse trabalho feito pelas abelhas na cadeia produtiva, este seria de 30 a 100 vezes o valor monetário arrecadado com a venda do produto. À medida que vamos perdendo as abelhas, todo esse equilíbrio fica ameaçado”, resume Souza.

 

O pesquisador cita três fatores como causas do problema: o uso inadequado de agrotóxicos e desmatamentos, as mudanças climáticas e a chamada Desordem do Colapso das Colônias (DCC).

 

“No Nordeste, por exemplo, muitas áreas perderam suas vegetações nativas e passaram a ter o cultivo de frutas e outras culturas agrícolas. Isto impacta diretamente nas abelhas que passam a não ter mais seus locais ideais para colmeias. Também precisamos trabalhar em parceria com os agricultores para a utilização de agrotóxicos adequados, que não exterminem as abelhas”, explica Souza.

 

Ele diz, ainda, que o mel brasileiro é um dos mais ricos do mundo, justamente pela diversidade de pólens encontrados nele. Quando se tem grandes áreas com uma mesma cultura agrícola, esta diversidade cai.

 

Já o DCC é caracterizado pela rápida diminuição de abelhas operárias em uma colônia, afetando diretamente a produção de mel, própolis, pólen apícola e geleia real. Esse fenômeno também está sendo associado ao uso de alguns herbicidas.

 

“Não podemos nos esquecer, também, do impacto socioeconômico com uma possível redução na produção de ceras e mel. No Brasil está é uma atividade, muitas vezes, familiar”, destaca Bruno Souza.

 

Um trabalho de fôlego para buscar soluções para o problema será desenvolvido de 16 a 18 deste mês, em Teresina, durante o Simpósio sobre Perda de Abelhas no Brasil. O evento é uma realização da Embrapa Meio-Norte, Sebrae e Ministério do Meio Ambiente.



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