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QUINTA-FEIRA, 25 DE MAIO DE 2017
11 de ABRIL de 2017 | Fonte: G1

Jornalista vira ré por mentir sobre Feliciano

Interrogatório de Patrícia Lélis será em maio em SP. Justiça aceitou denúncia do MP, que a acusa de mentir e extorquir Talma Bauer; ela responderá em liberdade.
A jornalista Patrícia Lelis, o deputado federal Marco Feliciano e o assessor dele, Talma Bauer (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil, Nilson Bastian/Câmara dos Deputados e Reprodução/TV Globo)

A jornalista e ex-simpatizante do Partido Social Cristão Patrícia de Oliveira Souza Lélis, de 23 anos, se tornou ré no processo no qual é acusada de mentir e extorquir dinheiro de Talma de Oliveira Bauer, de 65, assessor do deputado federal Pastor Marco Feliciano (PSC-SP).

 

O G1 apurou que a Justiça de São Paulo aceitou a denúncia feita pelo Ministério Público (MP), que acusou Patrícia de denunciação caluniosa e extorsão contra Bauer, e marcou para maio o interrogatório da jornalista, quando ela poderá ser julgada pelo caso.

 

Para a 1ª Promotoria Criminal, Patrícia mentiu à Polícia Civil em 2016 ao dizer que foi sequestrada e mantida em cárcere privado pelo assessor do deputado num hotel na capital paulista. Por conta dessa acusação, Bauer chegou a ser preso.

 

A jornalista também foi acusada pelo MP de cobrar dinheiro de Bauer para gravar vídeos em São Paulo desmentindo a acusação de tentativa de assédio sexual que ela fez contra Feliciano, no ano passado, em Brasília. O assessor alegou ter pago R$ 20 mil a um amigo dela.

 

Patrícia acusou Feliciano de tentar estuprá-la no apartamento dele na capital federal, em junho. Como o parlamentar tem foro privilegiado, o caso do suposto abuso sexual passou para a investigação da polícia do Distrito Federal.

 

A Polícia Civil já havia indiciado Patrícia pelos crimes em setembro, quando também pediu a prisão preventiva dela. O MP e a Justiça, no entanto, só não concordaram com o pedido para que ela fosse presa. Os órgãos também não atenderam a solicitação da defesa da jornalista para anular o inquérito policial.

 

Por e-mail, a jornalista confirmou ao G1 que a audiência sobre o caso já está marcada. Ela criticou Luiz Roberto Hellmeister, então delegado do 3º Distrito Policial (DP), Santa Ifigênia, no Centro de São Paulo, que a indiciou.

 

"Lembrando que eu fui acusada de um caso que o STF [Supremo Tribunal Federal] ainda não julgou, e o delegado que fez tal acusação carrega nas costas crimes bárbaros que aconteceram dentro da sua delegacia, como por exemplo o caso da Verônica Bolina, que foi brutalmente agredida dentro da própria delegacia", escreveu Patrícia, referindo-se à travesti que foi espancada após ser presa em 2015.

 

"Tenho testemunhas que estavam presentes na delegacia, que vão dar testemunho ao meu favor, dizendo sobre a conduta do delegado, e sobre os inúmeros xingamentos que se refere a mim", acrescentou a jornalista.

 

O G1 não conseguiu localizar o delegado, que atualmente está no 92º DP, Parque Santo Antônio, na Zona Sul de São Paulo, para comentar as acusações de Patrícia.

 

Interrogatório

Patrícia responde ao processo em liberdade. O juiz Carlos José Zulian marcou para as 15h do dia 25 de maio deste ano, na 1ª Vara Criminal do Fórum da Barra Funda, Zona Oeste da capital paulista, os depoimentos das testemunhas do caso e o interrogatório da ré.

 

Nessa etapa, se quiser, o magistrado já poderá julgar o processo e dar a sentença. Caso haja condenação, as penas dos crimes de denunciação caluniosa e extorsão podem variar de 6 a 20 anos de prisão.

 

“Vamos esperar o judiciário, que é ele que tem o poder de julgar o certo e o errado nesse momento”, disse Ana Ruas, uma das advogadas de Patrícia, por telefone ao G1. "A defesa confia no trabalho do judiciário, que fará uma análise pormenorizada dos fatos, respaldado nas provas devidamente produzidas durante a instrução criminal, sempre sob o crivo do contraditório e assegurados os princípios constitucionais assegurados pelo estado democrático de direito."

Ana trabalha com a advogada Livia Novak na defesa da jornalista.

 

Como a brasiliense informou morar na capital federal, existe a possibilidade de que Patrícia seja ouvida por carta precatória em Brasília. Em outras ocasiões, sua defesa alegou que a jornalista negava os crimes que a polícia atribuiu a ela.

 

Nas redes sociais, Patrícia também chegou a comentar o processo que responde em São Paulo. Em texto e num vídeo, a jornalista revela que deixou de frequentar a igreja evangélica, abandonou a direita política e se tornou feminista, o que combatia antes.

 

“Eu sei que várias pessoas irão, de alguma forma, me caluniar, difamar, postar vídeo... Ah! Ela mudou de lado... Enfim, mudei mesmo de lado porque eu entendi que defendia o lado errado e, infelizmente, eu tive esse entendimento através de um episódio muito triste”, disse Patrícia num vídeo publicado em sua página no Facebook em 8 de março (leia mais abaixo).

 

Procurada pelo G1, a assessoria de imprensa de Feliciano informou, por e-mail, que "o caso se encontra sub judicie em São Paulo/SP e em Brasília/DF, e que ambos os processos correm em segredo de justiça" e que "por essa razão ficamos impedidos de divulgar maiores detalhes do caso."

 

Também procurado pela reportagem, o promotor Alfredo Mainardi Neto não quis se pronunciar, alegando que o processo está sob segredo de Justiça. Bauer ou seus advogados não foram encontrados.



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